sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Guia da Casa para os mediuns!

Olha gente que guia linda que nossa casa esta!
Todos os consgrados ja podem adquirir!

Lágrimas de um Preto Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as... Foram sete.


Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?


E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.


A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...


A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.


A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.


A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.


A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.


A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.


A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas.


Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO.

Zélio de Moraes e a Umbanda

Caboclo das Sete Encruzilhadas


Por: Ronaldo Antônio Linares


Pres. Da Assoc. Umbandista do Grande ABC


Texto publicado no Jornal U&C, nº 92, Dezembro de 1995





Quando do primeiro contato de Ronaldo Linares com Zélio Fernandino de Moraes, este lhe narrou como tudo começou.


Em 1908, o jovem Zélio Fernandino de Morais estava com 17 anos e havia concluído propedêutico (equivalente ao segundo grau) na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a lhe acontecer.


 Ora ele assumia a estranha postura de um velho, falando coisas aparentemente desconexas, como se fosse outra pessoa e que havia vivido em outra época, e em outras ocasiões, sua forma física lembrava um felino lépido e desembaraçado que parecia conhecer todos os segredos da natureza, os animais e as plantas.


 Aqueles acontecimentos logo chamaram a atenção de seus familiares, principalmente porque ele estava se preparando para seguir a carreira na Marinha como aluno oficial. A situação foi se agravando e os chamados “ataques” sucediam-se com mais intensidade. A família recorreu então ao médico Dr. Epaminondas de Morais, também da família, diretor do Hospício de Vargem Grande e tio de Zélio.


 Após examina-lo e observa-lo durante vários dias, reencaminhou-o à família, dizendo que a loucura não se enquadrava em nada do que ele havia conhecido, ponderando ainda, que melhor seria encaminha-lo a um padre, pois o garoto mais parecia estar endemoninhado. Como acontecia com quase todas as famílias importantes na época, também havia entre eles um padre católico. Através desse sacerdote, tio de Zélio, foi realizado um exorcismo para livra-lo daqueles incômodos ataques.


 Entretanto, nem esse, nem os dois outros exorcismos realizados posteriormente, inclusive com a participação de outros sacerdotes católicos, conseguiram dar à família Morais o tão desejado sossego, pois as manifestações prosseguiram, apesar de tudo. A partir daí a família passou a correr atrás de toda e qualquer informação que lhe trouxesse a solução para seu filho querido.


 Um dia, alguém sugeriu que isso era coisa de espiritismo e que o melhor era encaminha-lo à recém fundada Federação Kardecista de Niterói, município vizinho àquele em que residia a família Morais, ou seja, em São Gonçalo das Neves. A Federação era então presidida pelo Sr. José de Souza, chefe de um departamento na Marinha, chamado Toque Toque.


 O jovem Zélio foi conduzido em 14 de novembro de 1908 à presença do Sr. José de Souza.


Estava em um daqueles chamados ataques, que nada mais eram que incorporações involuntárias De diferentes espíritos; e lá chegando, o Sr. José de Souza, médium vidente, interpelou o espírito manifestado no jovem Zélio e foi aproximadamente este o diálogo ocorrido:


 Sr. José – Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?


 O espírito – Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro.


 Sr. José – Você se identifica como um caboclo, mas eu vejo em você restos de vestes clericais.


 O espírito – O que você vê em mim são os restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era


Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o


terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o


privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.


 Sr. José – E qual é o seu nome?


 O espírito – Se é preciso que eu tenha um nome, digam que eu sou o Caboclo das 7 Encruzilhadas, pois


para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as


famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.



No desenrolar dessa “entrevista”, entre muitas outras perguntas, o Sr. José de Souza teria perguntado se jánão bastariam as religiões existentes e fez menção ao espiritismo então praticado, e, foram essas aspalavras do Caboclo das 7 Encruzilhadas: -“Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte, ogrande nivelador universal. Rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornam iguais na morte, masvocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levaressa mesma diferença até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar esseshumildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na terra, tambémtrazem importantes mensagens do além? Por que não aos Caboclos e Preto-Velhos? Acaso não forameles também filhos do mesmo Deus?”


 A seguir, fez uma série de revelações sobre o que estava a espera da humanidade: “Esse mundo deiniqüidade, mais uma vez será varrido pela dor, pela ambição dos homens, pelo desrespeito às leis deDeus... As mulheres perderão a honra e a vergonha, a vil moeda comprará caracteres e o próprio homem se tornará efeminado. Uma onda de sangue varrerá a Europa e quando todos acharem que o pior já foi atingido, uma outra onda de sangue, muito pior que a primeira, voltará a envolver a humanidade e um único engenho militar será capaz de destruir, em segundos, milhares de pessoas. O homem será vítima de sua própria máquina de destruição.”


Prosseguindo, diante do Sr. José de Souza, disse ainda o Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Amanhã, na asa onde o meu aparelho mora, haverá uma mesa posta e toda e qualquer entidade que queira ouprecise se manifestar, independentemente daquilo que haja sido em vida, e todos serão ouvidos e nósaprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais, e ensinaremos àqueles que souberem menos, e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.”


Sr. José E que nome darão a esta igreja?


O caboclo - Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que socorrerem da Umbanda.


A denominação de “Tenda” foi justificada assim pelo Caboclo: Igreja, Templo, Loja dão um aspecto desuperioridade enquanto que Tenda lembra uma casa humilde.


 Dessa forma, em São Gonçalo das Neves, vizinho a Niterói, do outro lado da Baía da Guanabara, na sala de jantar da família Morais, um grupo de curiosos kardecistas compareceram no dia 15 de novembro de 1908 para ver como seriam estas incorporações. Para eles indesejáveis ou injustificadas.


 O diálogo do Caboclo das 7 Encruzilhadas como passou a ser chamado, havia provocado muita especulação e alguns médiuns que haviam sido escorraçados das mesas kardecistas, por haverem incorporado caboclos, crianças ou preto-velhos, se solidarizaram com aquele garoto que parecia não estar compreendendo o que lhe acontecia e que de repente se via como líder de um grupo religioso, obra essa que deveria durar a sua vida toda e que só terminaria com a sua morte, mas que suas filhas Zélia e Zilméia prosseguem com o mesmo afã.


 A Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade existe até hoje. Seu patrono segue sendo o Caboclo das 7 Encruzilhadas. Seu endereço é Rua Dom Gerardo, nº 51- Rio de Janeiro – próximo ao cais das barcas de Niterói.


A historia se encarregou de mostrar e provar a exatidão das previsões do Caboclo das 7 encruzilhadas . As duas primeiras guerras, as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagaziki e a grande degeneração da moral, que permite até mesmo que em certos países do Mundo possam se unir em matrimônio seres do mesmo sexo.O poder do dinheiro e do total desrespeito a vida humana, são provas incontestáveis do poder e da clarividência do Caboclo da 7 Encruzilhadas.


Uma comprovação da existência de Frei Gabriel Malagrida pode ser feita no livro de Henrique José de Souza, “Eubiose – A verdadeira Iniciação” – 4ª edição (1978) – Associação Editorial Aquarius; Rio de Janeiro.


Nas páginas 250 e 251, Henrique José de Souza faz o seguinte comentário: “Gabriel Malagrida, ancião de 80 anos foi queimado por Verdugos (inquisição em 1761).


Existe na biblioteca da Amsterdam, uma cópia do seu FAMOSO PROCESSO, traduzido da edição de Lisboa. Malagrida, com efeito, foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo, que lhe havia revelado futuro.


A profecia comunicada pelo "inimigo do gênero humano" (quer dizer das profecias comunicadas aos Santos da Igreja, inclusive Santa Odília, que profetizou até a última guerra) ao pobre Jesuíta Visionário, está concebida nos seguintes termos: "O Réu confessou, que o demônio, sob a forma da Virgem Maria, lhe tinha ordenado a escrever a vida do Anticristo; que havia de existir, a bem dizer, 3 anticristos sucessivos, e que o último nasceria em Milão, da sacrilégia união entre um frade e uma freira, etc.

E por aí, outras tantas coisas que o obrigaram a confessar".


A Tenda Nossa Senhora da Piedade é reconhecida hoje como a primeira
Tenda de Umbanda e a data de 15 de novembro de 1908 é reconhecida
como a data de fundação oficial da Umbanda.



Ronaldo Linares fez seu primeiro contato com Zélio de Morais em
1970. Antes disso, em 1969, o pesquisador norte-americano David St.
Claire fez a mesma descoberta em sua estada no Brasil.

Mensagem

Essa é uma linda mensagem que recebi via e-mail sobre o tempo:


Mensagem tirada do site da Federação do Grande ABC:


Para entender o valor de um ano:
Pergunte a um estudante que não passou nos exames finais.


Para entender o valor de um mês:
Pergunte a uma mãe que teve um filho prematuro.


Para entender o valor de uma semana:
Pergunte ao editor de uma revista semanal.


Para entender o valor de uma hora:
Pergunte aos apaixonados que estão esperando o momento do encontro.


Para entender o valor de um minuto:
Pergunte a uma pessoa que perdeu o trem, ônibus ou avião.


Para entender o valor de um segundo:
Pergunte a uma pessoa que sobreviveu a um acidente.


Para entender o valor de um milissegundo:
Pergunte a uma pessoa que ganhou uma medalha de prata nas olimpíadas.


O tempo não espera por ninguém. Valorize cada momento de sua vida.
Você ira aprecia-los ainda mais se puder dividi-los com alguém especial.

Recomandamos


O Santuário Nacional da Umbanda situa-se no Bairro do Montanhão, Santo André-SP, onde existia a Pedreira Montanhão, espaço que, por haver sido totalmente destruído pela pedreira, foi recuperado pela comunidade umbandista sob o comando da Federação Umbandista do Grande ABC. Nos últimos 40 anos Pai Ronaldo Linares (com a ajuda dos frequentadores) vem transformando a imensa destruição causada pela Pedreira Montanhão na MECA DOS UMBANDISTAS. São 645 mil metros quadrados de mata nativa totalmente recuperada que atualmente destinam-se às práticas religiosas dos irmãos de fé umbandistas e dos simpaizantes da religião. Maiores detalhes no site:
http://www.santuariodaumbanda.com.br

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

BATIZADO DE OXALÁ


BATIZADO DE OXALÁ

O Batismo ou obrigação de Oxalá é, sem sombra de dúvidas uma das mais importantes obrigações, pois somente aquele que é batizado poderá participar das demais. É também a mais singela de todas, inicia-se pela escolha dos padrinhos, que deverão anunciar ao pai espiritual oficialmente a intenção desse filho de fé em ser iniciado em um templo, em caráter oficial. A indumentária será sempre branca, evitando luxo e adereços desnecessários.
Esse cerimonial é aquele realizado apenas quando o filho de fé já tem discernimento para decidir-se pela religião umbandista. Há um outro ritual, também intitulado Batismo, que se destina somente as crianças introduzidas ainda em tenra idade, no templo de Umbanda consistindo na apresentação formal da criança, à família umbandista e de pedido de benção e luzes espirituais a Deus e aos Orixás.













Meus filhos parabéns pelo batizado.
Que em 2012 a fé permaneça!! Que todos tenham muito axé, muito amor, muita alegria e muita esperança.
Que Oxalá abençoe e proteja a todos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Batismo

Está chegando o momento muito especial na vida de um UMBANDISTA. Dia da nossa primeira obrigação. A mais singela porém a mais importante das obrigações a de PAI OXALÁ. O BATIZADO.
O que é importante pensar nesse momento? A primeira: ter certeza. A segunda: ter fé no que será feito. Terceiro: ter confiança em quem estará lhe dando a obrigação e nos padrinhos.
Para quem tem dúvida: não faça. Espere, sinta de coração que chegou o momento correto.
Nesse dia especial, nos preparamos com o preceito, para nos purificar o máximo e entrar na energia correta para sermos consagrados. Vamos ao terreiro vestidos de branco e temos ao nosso lado um casal que nos acompanhará e a nossa frente a chefe do nosso terreiro e ali acima de nós nosso PAI OXALÁ BENDITO.
E então ajoelhados e purificados, estamos reconhecendo nossa fé umbandista, a dedicação e fé nos Orixás e nas entidades, aceitamos a SAGRADA UMBANDA como nosso caminho. Diferente do batizado das crianças, que apresenta-se a criança, no batizado de um adulto, vai-se por escolha própria assumindo o compromisso diante do altar. As mãos recebem o símbolo sagrado da UMBANDA e a fronte é cruzada. Recebemos as águas puras de MAMÃE OXUM e MÃE IEMANJÁ , recebemos o sal que nos deu a origem, somos cruzados em nome de PAI OGUM, e pelas ervas da macaia e limpamos o que resta da vida profana.
Por tudo isso temos de ter certeza da amplitude do passo que será dado.
A guia recebida naquele momento tem um significado imenso, que só quem a carrega entende. É o compromisso de levar sempre os principios da UMBANDA de FÉ, AMOR e CARIDADE.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mãe Gaby


Mãe Gaby, meu braço forte dentro e fora da casa.

Baba Dirce


Obrigado minha mãe pelos ensimantos!!

Pai Ronaldo Linares


Obrigado meu Pai pelos seus ensinamentos.

Prece a Pai Benedito de Aruanda

eu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido constrito, aguardando sua benção.

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: ESPERANÇA.

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:

"Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei e também fui injustiçado.

Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.

Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado.

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente um coisa via... terra.

Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados.

Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita, que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim...

Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente.

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.

Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal.

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que deviam matá-la... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.

Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou, e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão".

(Escrito por Pai Ronaldo Linares, em 20 de Outubro de 1964, entregue em mãos, por ele, ao Jornal de Umbanda Sagrada e publicado no mesmo em Maio de 2005).

Pai Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, é responsável pelo Santuário Nacional da Umbanda.
Texto <624><13/07/2005>

Umbanda é Para Gente Forte e Determinada...



Umbanda é Para Gente Forte e Determinada...
Que Ama, Que Vive, Que Quer Ajudar e Ser Melhor...
Gente Mole, que Quer Apenas Ver a Vida Passar...
Não Tem o Perfil do Umbandista...
Cedo ou Tarde, Muda Sua Postura ou
Procura um Outro Lugar, mais Cômodo Para
Se Encostar... Afinal Lugar de Encosto... é Outro...
Orgulhe-se de ser:
UMBANDISTA
Alexandre Cumino